Como Declarar Revolut no IRS em Portugal
A Revolut não é apenas uma conta bancária. Dentro da mesma plataforma pode existir uma conta de investimento clássica, uma carteira Robo-Advisor, uma conta cripto, Flexible Cash Funds e vários movimentos de caixa associados.
Para efeitos de IRS português, estas áreas não têm o mesmo tratamento fiscal. Umas podem gerar mais-valias, outras rendimentos de capitais, e outras apenas ajudam a reconstruir histórico, retenções ou identificação da conta estrangeira. É por isso que a Revolut não deve ser tratada como "um só extrato", mas sim como várias famílias de ficheiros de origem.
1. O que é a plataforma Revolut para efeitos de IRS
Na prática, quando um residente fiscal em Portugal usa a Revolut para investir, pode estar a tocar em vários tipos de produto:
- Ações, ETFs e obrigações estrangeiras na conta de corretagem ou no Robo-Advisor.
- Dividendos e juros pagos por esses instrumentos.
- Criptoativos comprados, vendidos ou recebidos dentro da conta cripto.
- Flexible Cash Funds, que misturam lógica de tesouraria com exposição a fundos monetários ou instrumentos equivalentes.
- Conta estrangeira que pode precisar de ser identificada no Anexo J Quadro 11.
Também convém separar a entidade legal por família de produto. Para clientes do EEE, os extratos de investimento clássicos deste fluxo continuam ligados à Revolut Securities Europe UAB, na Lituânia. Já o Crypto account statement é regido pelos termos da Revolut Digital Assets Europe Ltd, entidade registada no Chipre.
O ponto importante é este: compras, vendas, dividendos, juros, stock splits, rendimentos de lending e cripto não aparecem todos no mesmo export Revolut, nem devem ser revistos como se tivessem o mesmo destino fiscal.
2. Produtos suportados e como costumam mapear para o IRS português
| Produto / evento | Exemplos na Revolut | Destino fiscal habitual |
|---|---|---|
| Valores mobiliários estrangeiros | venda de ações, ETFs, obrigações, unidades de carteira Robo-Advisor | Anexo J, Quadro 9.2A |
| Dividendos estrangeiros | dividendos de ações e ETFs | Anexo J, Quadro 8A, tipicamente código E11 |
| Juros estrangeiros | bond coupon, interest on cash, lending interest, rendimento periódico dos Flexible Cash Funds | Anexo J, Quadro 8A, tipicamente código E21 |
| Criptoativos | alienações de cripto em plataforma não-PT | Anexo J, Quadro 9.4A ou Anexo G1, Quadro 7, consoante o período de detenção |
| Conta no estrangeiro | conta de títulos ou conta financeira Revolut | Anexo J, Quadro 11 |
Notas práticas:
- Compras por si só não costumam gerar uma linha declarativa imediata, mas são essenciais para o cálculo futuro da mais-valia.
- Stock splits, bonus issues e eventos semelhantes não são normalmente uma mais-valia no momento do evento, mas alteram quantidades e custo histórico.
- Movimentos internos de caixa, top-ups, withdrawals e transferências entre entidades Revolut não devem ser confundidos com vendas tributáveis.
3. Que ficheiros Revolut existem para este fluxo
Para o fluxo Revolut suportado neste guia, os ficheiros relevantes são estes extratos principais mais o relatório opcional de mais-valias abaixo:
- Brokerage Account
- Extrato de atividade da conta
- Trading PnL Statement
- Robo-Advisor
- Crypto account statement
- Flexible Cash Funds
O extrato consolidado pode ser útil para consulta humana, mas não deve substituir estes ficheiros de origem. O correto é exportar apenas as famílias que realmente usou no ano fiscal.
4. Conta de corretagem
Este é o extrato base da conta de investimento manual da Revolut. É normalmente o ficheiro mais importante para quem comprou ou vendeu ações, ETFs ou obrigações diretamente na plataforma.
Se a Revolut também disponibilizar um Trading PnL Statement, o IRS Pro aceita esse CSV e consegue reconstruir os pares de aquisição e venda correspondentes a partir das linhas de alienação realizada.
Como exportar:
- Invest -> Mais (...) -> Documentos -> Brokerage Account -> Account Statement
- escolher CSV ou Excel
- exportar o período completo, idealmente All time
Quando costuma ser relevante:
- compras e vendas de valores mobiliários estrangeiros
- histórico de quantidades e custo de aquisição
- algumas linhas de juros, cupões ou dividendos em layouts antigos
5. Extrato de atividade da conta
Este é o extrato mais abrangente do ledger de investimento. Muitas vezes é aqui que aparecem linhas que complementam a conta de corretagem, como dividendos, imposto retido, juros de share lending e certos corporate actions.
Como exportar:
- Invest -> Mais (...) -> Atividade da conta
- exportar em CSV
- escolher o período completo do ano fiscal ou, de preferência, o histórico necessário para as mesmas posições
Quando costuma ser relevante:
- dividendos e respetiva retenção na fonte
- juros de lending ou de caixa
- stock splits e outros ajustes de inventário
- reconciliação de movimentos que não aparecem de forma completa noutros extratos
6. Robo-Advisor
Este ficheiro corresponde à carteira gerida automaticamente pela Revolut. Fiscalmente, deve ser visto como um portefólio de instrumentos estrangeiros que também pode gerar vendas, resgates e rendimento.
Como exportar:
- Invest -> Mais (...) -> Documentos -> Robo-Advisor -> Account Statement
- escolher CSV ou Excel
- exportar All time ou o período necessário para preservar o histórico
Quando costuma ser relevante:
- compras e vendas dentro da carteira automatizada
- atualização do histórico de aquisição e alienação
- eventos de rendimento associados ao portefólio, quando existirem
7. Extrato da conta Cripto
Este é o statement da área cripto da Revolut. Deve ser tratado separadamente da corretagem tradicional porque as regras portuguesas para cripto não são as mesmas das ações e ETFs.
No nosso fluxo, este ficheiro é tratado com origem Chipre (código 196), ao contrário dos extratos de investimento Revolut, que permanecem associados à Lituânia (código 440).
Como exportar:
- Crypto -> Mais (...) -> Documentos -> Account Statement
- escolher CSV ou Excel
- exportar All time ou, no mínimo, o período que permita reconstruir o histórico do ativo
Quando costuma ser relevante:
- compras e vendas de cripto
- staking e rewards que aumentam o inventário do ativo
- verificação do período de detenção para decidir entre Anexo J Q9.4A e Anexo G1 Q7
8. Flexible Cash Funds
Flexible Cash Funds é um produto de gestão de liquidez com natureza diferente da conta bancária tradicional. Dependendo do movimento, pode haver rendimento periódico e também subscrição e resgate de unidades.
Como exportar:
- abrir uma posição de Flexible Cash Funds
- Mais (...) -> Statement
- no ecrã do extrato, selecionar o filtro Flexible Cash Funds
- escolher as contas a incluir e exportar CSV ou Excel
Quando costuma ser relevante:
- rendimento periódico com natureza semelhante a juros
- subscrições e resgates que afetam histórico de unidades
- reconciliação de comissões e movimentos específicos deste produto
9. Porque é que o extrato consolidado não deve ser o ficheiro principal
O extrato consolidado da Revolut junta várias áreas da plataforma no mesmo relatório. Isso pode ser útil para leitura geral, mas é uma base fraca para declaração fiscal porque:
- mistura produtos com tratamento fiscal diferente
- pode trazer secções já agregadas em vez do detalhe original
- torna mais difícil reconstruir histórico, retenções e corporate actions
Se tiver dúvidas, a regra prática é simples: use os ficheiros de origem do produto e deixe o consolidado apenas como documento de consulta.
10. Revisões manuais importantes
- Os ficheiros da Revolut normalmente não trazem IBAN / BIC suficientes para o Anexo J Quadro 11. Se esse quadro se aplicar ao seu caso, confirme esses dados manualmente antes da entrega.
- Se vendeu cripto, confirme sempre o período de detenção antes de decidir o anexo final.
- Se um produto não foi usado no ano, não há vantagem em exportar ficheiros extra: mantenha apenas as famílias realmente relevantes para a sua atividade real.
11. Checklist rápido
- identifique primeiro que produtos Revolut usou no ano fiscal
- exporte os ficheiros de origem de cada produto usado
- não substitua esses ficheiros pelo extrato consolidado
- confirme manualmente os dados de conta estrangeira se precisar do Anexo J Quadro 11
12. Aviso
Este guia é orientação prática de produto e não constitui aconselhamento jurídico ou fiscal. O enquadramento final depende sempre dos seus factos concretos e das regras oficiais da Autoridade Tributária.